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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Cultura Surda


                    O conceito de cultura, às vezes é usado para assinalar as “melhores” ou “superiores” produções criativas de uma sociedade, tais como a sua arte, música e literatura. Uma das melhores definições de cultura, vinda do século XIX, diz ser ela todo aquele complexo que inclui conhecimento, crença, arte, moral, lei, costumes e todas as outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem, como membro da sociedade. (Tylor, 1871, pág.1). A cultura é adquirida socialmente e assim, a língua é uma parte essencial do desenvolvimento cultural.

Frequentemente, a língua é uma das feições diferenciadoras mais importantes de um subgrupo, dentro de uma sociedade, ela pode servir como fator de coesão, fonte de definição de orgulho e identificação positiva e, simultaneamente, um foco de estigma e escárnio por parte dos integrantes da cultura da maioria. (Meadow, 1975, pág.17).

As pessoas surdas vêm o mundo de maneira diferente, em alguns aspectos, porque suas vidas são diferentes. As crianças vão amadurecendo, elas não encontram modelos satisfatórios dentro de sua família. A situação do grupo minoritário, no qual se encontram, é incomum. Podem ser privadas de certas oportunidades linguísticas e culturais, porque seu status como grupo minoritário é pouco claro para a maioria das pessoas. Isso pode resultar em mais desvantagens do que a surdez em si. As necessidades das pessoas surdas têm grandes probabilidades de serem desconsideradas, porque aqueles que tomam decisões por elas só têm conhecimento de segunda mão sobre o que significa ser surdo. Há mais motivos óbvios para a existência da cultura surda. As pessoas surdas podem, em geral, apreciar a companhia uns dos outros, já que a comunicação não é problema, e por causa das experiências de vida compartilhadas. Organizações de surdos incluem centenas de clubes, acontecimentos esportivos - inclusive jogos internacionais - suas próprias companhias de seguro e grupos de dança e teatro profissionais. Isso não existiria se não estivesse indo ao encontro de uma necessidade real.

É necessário garantir aos educadores, pais e crianças surdas que o fato mais importante de todos concernentes ao grupo minoritário dos surdos é: uma pessoa  deficiente é igual à todas as outras; seu ponto de vista com  relação à sua deficiência fundamentalmente não é diferente da maioria... Precisamos esperar e lutar pelo dia que não haverá qualquer sub-cultura dos surdos... qualquer coisa menor que o empenho à integração numa sociedade ouvinte é um objetivo inaceitável para os pais de crianças surdas. (Connor, 1972, págs. 524-525, ênfase acrescentada.)

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